História da Cannabis Medicinal

Conheça a história da Cannabis medicinal

Para quem é leigo no assunto, a discussão sobre a Cannabis medicinal deve parecer recente. Porém, há registros do uso da planta para fins medicinais de mais de 2.000 anos atrás. Inclusive, já se sabia dos poderes terapêuticos antes mesmo de Cristo.

 

A história

Os primeiros indícios de uso medicinal da Cannabis apareceram há mais de 2700 anos a.C, quando o imperador chinês Shen Nung prescrevia um chá feito da planta para tratar a falta de memória, reumatismo e malária.

Há registros de que a Cannabis para fins terapêuticos começou a se tornar popular pela Ásia, Oriente Médio e costa oriental da África. Na Índia, seitas hindus a usavam em rituais religiosos e também para diminuir o estresse.

Médicos da antiguidade a prescreviam para tudo, desde o alívio para dores crônicas até para sintomas de doenças ainda sem diagnóstico.

 

Referência por anos

O livro “De Matéria Médica”, escrito pelo médico Pedânio Dioscórides – considerado o fundador da farmacologia -, traz a Cannabis como uma das substâncias naturais que podem aliviar dores.

Na obra, a planta é atribuída à melhora de dores, articulares e inflamações. Do século I até o século XVIII, o livro se tornou referência no tema.

No Brasil, estima-se que a Cannabis foi trazida por escravos africanos no período colonial, por volta de 1808. Em seguida, os benefícios medicinais da planta foram descobertos pelos índios e, mais tarde, pelos brancos até chegar na coroa.

Acredita-se que a rainha Carlota Joaquina, esposa do rei D. João VI, costumava tomar chá de Cannabis durante sua estadia no Brasil.

 

Ganhou atenção

No continente europeu, as propriedades medicinais ganharam notoriedade após a publicação do artigo “Sobre a preparação de Indian Hemp ou Gunjah”, que reconhece o medicamento como um anticonvulsivante de maior valor.

Em 1889, a Cannabis medicinal se consolidou nos Estados Unidos e na Europa depois do artigo do PhD EA Brich, que afirmou o uso da planta para o tratamento de dependentes de ópio. A substância reduz o desejo do ópio, funcionando como um antiemético – medicamentos que agem no organismo para evitar enjoos e náuseas.

No início do século XIX, porém, a substância foi taxada preconceituosamente como uso de minorias socialmente discriminadas na época. Em 1924, o Brasil também adotou essa visão sobre a planta.

Apesar da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1961, também repudiar o uso medicinal da planta, Israel quebrou os primeiros paradigmas da época. O Prof. Dr. Raphael Mechoulam, do Departamento de Química Medicinal e Produtos Naturais da Escola de Medicina da Universidade Hebraica de Jerusalém, isolou o canabidiol (CBD) e o tetrahidrocanabinol (THC) da Cannabis.

Depois de 18 anos, o Brasil apresentou uma pesquisa sobre o tema pelo grupo do Prof. Dr. Elisaldo Carlini, da Unifesp. O estudo duplo cego, randomizado, investigou o uso da planta para controlar crises convulsivas.

Desde então, a comunidade científica focou esforços nos estudos do sistema endocanabinoide, encontrando os canabinoides internos – produzidos pelo corpo humano -, os receptores CB1 e CB2 e toda a ciência envolvida no assunto.

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